sexta-feira, 4 de junho de 2010

A CULPA AFINAL É DOS ESPANHOIS - PARTE X - OS EXCOMUNGADOS

CAPÍTULO X – Os excomungados

O segundo Chancho vem encontrar um reino devastado, sem alimentos e esfomeado. Falam alguns historiadores que tal ficou-se a dever a anos de más colheitas, consequente subida de preços e fome – eles que vão estudar mais um pouco, porque não percebem nada disto! Claro que, como já ficou dito atrás, com um rei a comer como um desalmado, pouco podia sobrar para a população, depois ainda acrescentam que o segundo Chancho era um rei fraco… pudera, desde tenra idade que só comia espinafres e mais espinafres. O pai via o filho franzino, comparado com ele e, como na altura apareceu por cá um marinheiro das Américas (um sitio que não se conhecia muito bem) – de se nome Popei – que comia muito daquilo, ora nem mais, é mesmo isto! Mas acontece que o puto não gostava nada, nada, mas mesmo nada de espinafres.

Prossigamos; “Le Roi est mort, vive le Roi”. Não foi bem assim, foi mais complicado. Aqui a trama adensa-se – trama dos espanhóis, tramados os portugueses. Vamos lá ver se percebemos bem a tramóia; sim, porque eu não sou espanhol para ter essa capacidade inata (digo, capacidade de tramar e, logo, de entendê-las).

Só passado um ano o novo rei foi coroado, e foi uma coroação tímida. Espanhóis, Papa, Bispos… o que queriam? Um bom refogado (ou estrugido, dependendo da zona). Teve de ser assim.

Aqui entram os conflitos com a igreja – ou melhor dizendo – agravam-se. Primeiro, foi Afonso – o Riques que, para conseguir manobrar os espanhóis e comprar o apoio da igreja, prometendo mundos e fundos à hierarquia cristã que, supostamente os que viriam a seguir teriam que pagar, até que o segundo Afonso deixou mesmo de pagar – e mais – para alimentar o seu apetite voraz ainda ia ás igrejas comer as hóstias todas. Não deixando nenhumas para mais ninguém. O vinho da eucaristia que o sacerdote utilizava no sacramento era feito com um garrafão (ou 2). Por esta razão, e não por outras, derivam as queixas ao Papa dos clérigos, sobre a decisão de o excomungar.

O Segundo Chancho também foi excomungado, mas por outras razões; estas já estavam ligadas aos espanhóis. Isto aconteceu quando o rei, sabido na matéria como era – não era desprovido de razão o facto de ele ser chamado de capelo – se apercebeu que os segredos da confissão que prestava aos religiosos acabavam nos ouvidos dos espanhóis. Fulo ele ficou…não queiram saber a reacção dele por inteiro. Não há mais confissões para ninguém; para além disso, foi acabando com os mosteiros por esse reino fora, que funcionavam como casas de alcoviteiros(as). Isso caiu mal ao Papa, que deixou de ter informações dos seus serviços secretos acerca de Portugal. Excomungou mais um rei e ofereceu as terras de Portugal a uma conquista espanhola.

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