quarta-feira, 26 de agosto de 2009

DERROCADA POLITICA

Chegou-me aos ouvidos que, devido ao incidente acontecido na praia Maria Luísa, em albufeira e, para evitar acontecimentos futuros do género o governo, através do ministério da tutela, está já a tratar do caso.

Surpreendam-se os mais pessimistas e descrentes do funcionamento do estado, porque, desta vez, vai ser feito algo para evitar que outra catástrofe do género passa acontecer. Sim, porque o ordenamento da nossa costa embora possa - e sirva realmente - de exemplo a outros países, algo do género pode voltar a acontecer numa qualquer outra praia da nossa bela costa.

Atendendo ao facto do típico português ser incauto e pouco previdente, características aliadas a um optimismo sem paralelo num outro qualquer povo - onde a expressão – “isso só acontece aos outros” - tem sentido pragmático, nada nos impedirá de encontrarmos uma sombra junto de arribas em perigo de derrocada eminente.

Sabendo de tal e, talvez não concordando com o optimismo descontraído e de fé na virgem do povo português, o governo prepara legislação de carácter preventivo - não sancionatório. Prevêem-se pesadas multas para os crentes que, não obstante os avisos de perigo que imperam nas praias por esse Algarve fora, estendam as suas toalhas benzidas e abençoadas, em zona de perigo de derrocada.

Tal solução, de uma genialidade a que o governo nos tem habituado, tem tudo para resultar funcionando em dois sentidos

1 - Demovendo pessoas de se colocarem em perigo podendo ate salvar-lhes a vida.

2 - Para agnósticos, laicos, descrentes e outros do mesmo género, bem como católicos praticantes e não praticantes, budistas islâmicos, talibãs, judeus e fanáticos religiosos em geral, contribuirão com as mais que justas multas para diminuir o tão preocupante défice.

Tal medida, é de tal modo benéfica que, ao invés de se fazerem obras para evitar tais acontecimentos de futuro – o que seria um gasto exagerado de dinheiro – consegue-se com esta medida resultados superiores com a vantagem de – não só reduzir custos – mas de trazer proveitos aos cofres do estado.

O governo prevê a necessidade de recrutar vigilantes para zelarem pela aplicação da lei.

Está ainda em estudo, se será criada uma forca especial, ou se se inserirá numa das muitas já existentes, sendo certo que a já extinta mas renomeada brigada de transito - agora Unidade Nacional de trânsito - é aquela que possui maior know how, juntamente com a ASAE.

A tarefa de tais agentes não será a de impedir o acesso a tais zonas - porque, segundo o próprio governo, seria uma violação da liberdade individual - mas sim a de sancionar os prevaricadores.

A criação da força especial reúne mais apoiantes no seio do governo uma vez que se esperam medidas do género para evitar outras situações de perigo.

O ministro Mário Lino veio dizer, em conferência de imprensa convocada para o efeito, que ira concerteza, optar pela mesma solução nos casos onde existam pontesem perigo de ruir, evitando assim os transtornos decorrentes de um acidente como o que aconteceu na ponte de Entre os Rios.

O ministério da saude emitiu um comunicado onde se mostra preocupado com o risco eminente de uma pandemia de gripe A, considerando exequível uma solução do género. Tal, segundo se pode ler no comunicado, iria diminuir drasticamente as probabilidades de tal suceder, uma vez que a aplicação de uma coima a quem contrair gripe A, seria dissuasora para quem pudesse ter tais intenções ou para quem que, embora tenha adquirido gripe A, mostrasse intenção de recorrer aos serviços de saúde públicos.

A oposição já se pronunciou sobre o assunto.

O PCP alerta para o facto de ser mais uma medida populista e demagógica às quais este governo nos tem habituado.

O BE concordando no essencial alerta para o facto de poderem haver famílias carenciadas que tenham dificuldade em pagar as multas devendo para elas ser criado um fundo de apoio, devendo também o valor das multas reflectir o peso económico de cada um, devendo pagar mais quem tem mais.

O PSD, diz que é mais uma manobra de campanha para as eleições, considerando que, a medida terá seguramente efeitos mais práticos que uma revisão profunda da nossa orla costeira, que alguns advogam, mas que a solução peca por tardia.

O CDS PP vai mais longe e pede una comissão de inquérito ao incidente, equacionando ate uma revisão da constituição tendo em vista permitir a aplicação retroactiva da lei, para que, se a tal levarem as conclusões do inquérito e exigir o pagamento da multa aos familiares das vitimas.

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